Fábrica de uma montadora japonesa. Faturamento anual estimado em 12 bilhões de dólares. Tudo transcorre normalmente: as máquinas não param, os funcionários seguem sua rotina de trabalho, os executivos passam pelos corredores, peças são montadas… tudo como manda um belo comercial de televisão.
E então, a rotina é quebrada por um operário que levanta a mão. Sirenes tocam, máquinas param, executivos ficam inquietos, supervisores mais ainda. O que teria acontecido?
A pausa ocasionada pelo operário faz com que sejam perdidos 30 minutos de produção. O que significa isso no papel?
12 bilhões de dólares de faturamento ao ano (365 dias)
32 milhões de dólares de faturamento por dia (24 horas)
1 milhão de dólares de faturamento por hora
Ou seja, a pausa do operário causou um prejuízo no faturamento da empresa de 500.000 dólares.
Mas por que ele fez isso?
Pois ele verificou que a peça a qual ele deveria trabalhar estava com defeito. Ao levantar o braço, ele indicou para todos seus colegas que algo de errado havia acontecido. As máquinas pararam e todo o trajeto da peça foi refeito até identificar a origem do problema. Feitos os ajustes, a linha de montagem volta a funcionar a todo gás.
Esse relato me foi dado por um professor do meu pós e eu achei muito interessante. Vejam como uma empresa valoriza tanto a opinião de seus operários que para eles é mais importante garantir a qualidade total de seus produtos e, consequentemente, valorizar ação realizada pelo operário que os 500.000 dólares se tornam irrelevantes.
É realmente triste ver que ainda muitas empresas resistem a este tipo de situação, que é simplesmente escutar e valorizar seus funcionários. Em contrapartida, as empresas exigem dedicação e “amor a camiseta”. Como se isso pudesse ser imposto e não conquistado.
No mundo da publicidade e da TI, felizmente, as empresas estão se tornando mais humanas, muito embora seja evidente que essa mudança só acontece da boca pra fora.
O que fazer então?
A resposta é bastante simples: procure uma empresa na qual você se enquadre melhor. Não , logicamente não estou opinando para você jogar tudo para o alto amanhã pela manhã. Porém, repense seus planos de médio prazo. Será que vale a pena estar onde você está? Será que outra empresa não irá valorizar o que você tem a oferecer?
É uma boa reflexão que temos para fazer. Faça o teste em sua empresa. Levante a mão. E veja o que acontece.
Um grande abraço.

Interessante! Beijos
Bom post, vale uma pensada sobre o assunto.
Abraço
É claro, tem uma fundamentação prática: evitar que o defeito – e outros causados pela mesma falha no inicio da linha – fluam para um ponto mais avançado. Fail Fast!
A grande questão para mim é “quantas vezes, depois de corrigir a origem dos erros, acontece de alguém levantar a mão no meio da fábrica?”. Na minha opinão, poucas, bem poucas.
Abraço…
Fantástico este post! Existem empresas que não dão a mínima para seus funcionários. Eles falam, falam, falam, daí quando, lá na frente, aquele peça que estava com defeito, causou problemas enormes, perguntam “Porque vc não levantou a mão quando viu que a peça estava com defeito?”, tendo como resposta “Eu levantei diversas vezes, me levantei, gritei, mas meus superiores que tinham poder de parar a produção não fizeram nada.”
Vejo isso acontecer muito e é muito difícil lutar contra isso. Talvez a solução seja mesmo rever a posição na empresa e procurar outro lugar para ser ouvido…
[...] Levante a mão – Flavio Steffens (agileway); [...]
Bem interessante seu post
só a frase
No mundo da publicidade e da TI, felizmente, as empresas estão se tornando mais humanas, muito embora seja evidente que essa mudança só acontece da boca pra fora.
é um pouco radical mas concordo com o teor dela
abraços
Enfim, comunicação é essencial!!!