Liderança e motivação na Segunda Guerra Mundial : Richard Winters « Agile Way


10 de Julho de 2009

Liderança e motivação na Segunda Guerra Mundial : Richard Winters

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No primeiro artigo da série, irei falar sobre um dos líderes mais conhecidos da Segunda Guerra: Richard Winters. O que, você nunca ouviu falar dele? Muita gente também não. Foi preciso a minissérie Band of Brothers ser produzida por Steven Spielberg para que a história do major Winters e sua companhia Easy da 101ª Airbone americana se tornar famosa.

Ainda atordoados com Pearl Harbor, os EUA preparavam seu exército que lutaria na frente européia. A divisão  aerotransportada, os paraquedistas, era um convite era para voluntários se unirem aos treinamentos e lutarem pelo país. Numa dessas companhias, conhecida como EASY (ou companhia E), o responsável por liderá-la chamava-se Richard Winters.

Em combate, a companhia Easy foi talvez uma das melhores de toda a guerra. Sem exageros. Com baixas de aproximadamente 150% até o fim do conflito, eles participaram das mais importantes batalhas do cenário ocidental: Normandia, Holanda e Ardenhas (Bélgica), sempre desempenhando um papel tático de assalto. Isso significa que eles eram quase sempre os primeiros da linha, o que rendeu, por exemplo, a possibilidade da companhia ser a primeira a entrar no ninho da águia, a famosa residência nas montanhas de Hitler.

Richard Winters era o líder perfeito para uma companhia deste porte. Educado, polido e apoiador, mas também firme e direto em suas ordens. Ele desempenhou sua função com louvor o que faz com que a minissérie Band of Brothers seja mais do que apenas uma história sobre guerra, mas uma aula sobre liderança.

Em sua primeira ação de assalto, na Normandia, realizou uma tomada de posição perfeita e muito bem orquestrada taticamente, que foi documentada e indicada para se tornar um tipo de ação padrão para o exército americano. Também foi nesse momento em que vislumbrou a primeira baixa em ação, com a morte de um de seus liderados. Este fato o tornou ainda focado em se tornar um lider cada vez melhor, pois a guerra estava apenas começando para eles.

Subiu de segundo-tenente para major, durante o conflito, o que o deixou bastante chateado por um tempo. Não por gostar da ação em si, mas pela responsabilidade que sentia para liderar seus homens. Achava enfadonha qualquer atividade de emitir relatórios e demais burocracias as quais os altos escalões eram obrigados em alguns momentos.

Mas afinal, o que faz Richard Winters um líder exemplar e o que temos que aprender com ele?

Em primeiro lugar, como já foi dito, ele liderou homens num dos maiores conflitos da história. Imaginemos a responsabilidade de ser um líder de aproximadamente 100 homens em um continente estrangeiro, lutando contra soldados bem treinados, contra o tempo (frio, chuva, etc), a falta de equipamentos (em alguns momentos) e em condições quase sempre adversas. A companhia Easy se manteve íntegra durante todo o conflito, mesmo tendo as piores missões. Winters sabia que a motivação era um dos principais fatores para o sucesso. E ele, por estar convivendo no dia-a-dia com seus liderados sabia que tudo dependia exclusivamente de pessoas. Buscando ser um líder servidor, Winters fez o que pode para que sua companhia tivesse as melhores condições possíveis para atingir seus objetivos. Inclusive ir contra algumas ordens.

Winters também merece elogios por ter sido um grande formador de líderes. Essa é uma das grandes lições que ele tem a nos ensinar. Uma companhia jamais funcionaria se apenas ele atuasse como líder. Winters sabia muito bem quais pessoas eram as mais capacitadas a liderar pessoas. E fazia questão de apoiá-los e, normalmente, promovê-los. Isso veio a se tornar um dos principais fatores de sucesso da companhia. Em certo momento, retratado na série inclusive, ele escolheu uma pessoa que assumiria o seu lugar assim que foi promovido a comandante da companhia. Mas um acidente mudou toda história, e fez com que a companhia tivesse que ir combater nas gélidas Ardenhas com um líder apadrinhado pelo alto escalão. O resultado é o que se poderia esperar: um líder omisso, sem nenhuma identificação com a companhia e, principalmente, sem qualquer capacidade de liderança. Isso mexeu muito com a companhia, durante o período.

Winters foi retirado do campo de batalha e promovido a comandante da companhia, justamente pelo seu maior feito pessoal: durante a campanha na Holanda, ele e uma patrulha se depararam com uma posição alemã. Após realizar um ataque bem liderado, decidiram recuar para contra-atacar em melhores condições. Passar as instruções de que o avanço se daria após seu sinal, e iniciou a contagem. Porém foi ele quem justamente quebrou essa contagem e saiu na frente em disparada, deixando todos seus soldados para trás e pasmos. Seguiu sozinho por uns 50 metros a frente dos demais. Foi quando, ao subir uma elevação, se deparou com uma companhia inteira da SS, o exército de elite alemão. Com um pouco de sorte (não sofreu qualquer ferimento!), se atirou no chão e começou a descarregar sua arma, até que seus comandados chegaram para unir-se a ele. O resultado foi espetacular: o pequeno grupo causou uma baixa considerável (entre mortos, feridos e prisioneiros) no exército alemão, e o fato da companhia ser da SS elevou ainda mais o status da ação e o seu respeito perante o exército. Winters foi um grande líder pois não hesitava em mostrar como a ação tinha que ser feita. Participava ativamente das operações. Seus homens sabiam que ele sabia o que fazia.

Logicamente, não só de grandes conquistas Winters viveu. O acidente com seu sucessor mais provável, logo após a ação descrita acima, foi inteiramente por sua culpa. Em um território de conflito, resolveu sair para caminhar com seu provável substituto, durante a noite. Foram confundidos com alemães, e por pouco ambos não foram mortos. Durante a campanha das Ardenhas, também, evitou bater de frente com seus superiores ao perceber que seu substituto (apadrinhado pela alta cúpula) não tinha a menor condição de liderar a companhia. E ainda assim, enviou-os para um assalto a uma cidade que por pouco não acabou em uma tragédia (e que veio a se tornar um sucesso graças a um dos seus braços-direito). Cometeu erros, mas costuma dizer que aprendeu com todos eles.

Richard Winters sobreviveu à guerra e está vivo até a presente data. Costuma relembrar das operações na Segunda Guerra com certa hesitação, mas jamais esquece de mencionar as pessoas com as quais conviveu e liderou. Não mede palavras para dizer o quão importantes todos eles foram e repete frequentemente que seus liderados que são os verdadeiros heróis. Por outro lado, seus liderados nem hesitam ao mencioná-lo como uma das pessoas mais importantes nas suas vidas.

Richard Winters foi um modelo de líder para o exército americano. E com certeza, um modelo para os líderes de hoje em dia.

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4 Comentários para “Liderança e motivação na Segunda Guerra Mundial : Richard Winters”

  1. Otávio Gomes diz:

    Che Guevara é outro militar que enfretou problemas de lideraça. O
    livro “The African Dream” contém o diário do guerrilheiro na campanha no Congo.
    Em 1965 ele “si manda” junto com outros oficiais cubanos para o país africano
    para treinar revolucionários. Mas acaba esbarrado na extrema desorganização
    da milícia. Segundo Che, os soldados eram indisciplinados,
    não sabiam atirar e não tinham respeito pelos seus superiores. Isto sendo
    causa da vista grossa dos generais africanos no comando.

    Em 1967, o guerrilheiro argentino direciona os esforços e volta para à america do sul.

    Duas curiosidades do livro:
    – Os soldados acreditavam em uma “poção mágica” de invulnerabilidade
    à balas – quando alguém era morto ou ferido foi pois não acreditava realmente.

    – Guevara chegou capturar veículos inimigos com grande quantidade de whisky e maconha.

  2. Glauco César diz:

    “HÁ HOMENS QUE FAZEM O QUE OUTROS SÓ PENSAM OU SONHAM EM FAZER…; A AÇÃO É TUDO”

  3. Marcio Enokida diz:

    Caros,
    Fui conhecer a série toda somente há alguns dias. Confesso que fiquei impressionado, tamanha a lição de liderança e trabalho em grupo de que vi a cada minuto praticamente.
    Não fosse o assunto polêmico (“guerra”), seria um material mais utilizado formação de líderes.
    Em cada episódio fica clara a integridade do líder como um fator primordial. Fica a reflexão: será que nossos liderados confiam em nossa liderança a ponto de colocar suas vidas dependendo de nossas decisões? ou Você saltaria daquele avião com o seu chefe atual como líder?
    Abraço a todos.

  4. jose diz:

    ele sempre sabia o que fazer.

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