Questionei no meu twitter (@flaviosteffens):
“Oferecer recompensas para cumprimento de objetivos no trabalho é bom ou ruim? Qual a opinião de vocês, pessoal?”
E você, o que acha?
Recebi algumas respostas (obrigado a @rvfurtado, @julioviegas, @alexongarato, @rafaelfuchs, @fabricioFCC, @prof_pedro e @gabichanas) e a posição destes variou bastante. Alguns afirmam que pode ser bom o reconhecimento, outros são contra.
Encontrei um vídeo do consultor de carreiras Dan Pink, em uma palestra sua no TED 2009, nos Estados Unidos.
Ele demonstra alguns experimentos realizados onde ficou provado que a recompensa por objetivo alcançado funciona. Mas apenas em tarefas MANUAIS, não cognitivas. Em tarefas onde era necessário o raciocínio, a recompensa funcionou como um ATRASO para a conclusão. E na maioria dos casos, atrapalhou o racicínio.
Interessante isso, não?
Ele conta do “Problema da Vela” (Candle Problem) onde o objetivo é, com uma caixinha de tachinas, uma vela e um maço de fósforos, prender a vela na parede e acendê-la de forma que ela não suje o chão. O pesquisador realizou essa pesquisa durante anos, sempre dividindo em dois grupos. Num dos grupos, ele dizia que queria apenas fazer uma média de tempo para que se atinja o resultado. No outro grupo, ele oferecia uma recompensa dependendo da velocidade realizada.
Resultado: os grupos que recebiam as recompensas demoraram em média 3 minutos a MAIS do que o grupo que foi induzido a fazer, sem pressões.
Impressionado? O vídeo traz outras experiências realizadas e algumas conclusões interessantes sobre como a recompensa pode atrapalhar a criatividade. E vejam, estamos falando do trabalho do futuro! Seja você um jornalista, pesquisador, inventor, médico, advogado, desenvolvedor de software… praticamente todos os trabalhos do século atual são COGNITIVOS. Não seria a hora de repensar a nossa forma de “gerenciar” uma empresa?
Assista ao vídeo (ele tem legendas em português – com alguns erros mas tudo bem). São 18 minutos que valem a pena.

Sou contra recompensa por objetivos, acho que montar o ambiente favoravel ajuda mais do que isso.
Otimo video e com certeza a briga entre o modelo antigo e um novo modelo de gestão é o maior desafio.
Oi Flavio,
Eh por isso que eu acredito em reconhecimento de merito, e nao em recompensa, ou premio… Existe uma grande diferença entre esses dois: quem trabalha orientado a um anuncio previo de premiacao utiliza esse fim como objetivo maior(acontece com vendedores tentando superar suas metas, por exemplo), o que acaba prejudicando a atividade. Quem recebe reconhecimento usa isso como combustivel para sua proxima atividade. Reconhecimento eh algo mais natural que premio, e mais recompensador para quem recebe.
Pense a medio/longo prazo: todo produto entregue onde nao haja algum tipo de reconhecimento prejudica a moral do time. E os melhores sempre buscarao empresas onde esse reconhecimento acontece de fato. E reconhecimento eh possibilitar o exercicio de poder como “eu posso fazer isso corretamente” ao inves de usar força politica para impor algo. Isso possibilita o exercicio de atividades pelas pessoas capazes.
Eu trabalhei em um projeto literalmente doando meu sangue por dois anos e o reconhecimento nao aconteceu no terceiro ano. Sabe o que eu fiz? Mudei. Hj trabalho em uma empresa onde a meritocracia eh regra. Existem outras vantagens: auto-gerencia, controle descentralizado, voz coletiva em decisoes, etc… Forças politicas que nao possuem merito corrompem a ordem natural das coisas. Nepotismo eh um exemplo classico disso.
Favorecer o time incentivando colaboracao, criatividade, participacao em atividades fora da empresa(eventos), mais voz em decisoes… Esse eh o novo caminho.
[...] Recompensas por objetivo… funciona? – Flavio Steffens (Agileway); [...]
[...] Ver mais sobre o vídeo [...]
Acho que recompensa no caso de trabalhos manuais, como metas de produção – por exemplo, é muito válido.
Atuo num projeto de ampliação de uma refinaria e aplicamos PLR calculado por metas de produtividade conforme nossa programação mensal. Mas, apenas para o setor da produção: pintores e encanadores industriais, mecânicos e eletricistas em geral. Pessoas que executam atividades de rotina e em maioria manual.
Para o caso de engenheiros e tecnólogos, aplicamos cálculo diferenciado como planos de correção e percentual de atraso em referência a curva planejada.
Tem funcionado!
É um dos temas que estou tendo que lidar atualmente.
Sobre isso e mais, recomendo:
http://expressocapital.blogspot.com/2008/03/produtividade-ou-liderana.html
Ainda estou pensando sobre…
Muito interessante, obrigado Flávio!