A grande maioria das empresas que eu conheci possuiam algum sistema de controle. Ou era um ponto eletrônico, ou reports diários, semanais e mensais. Ou mesmo qualquer outro tipo de controle que você possa imaginar, uma vez que algumas empresas são realmente criativas nisso.
Esses controles geram dados que podem prover informações importantíssimas para a empresa. Mas, infelizmente, devido a uma inversão absurda de valores, estes dados não são usados para nada a não ser controlar de fato a empresa. Senhores, uma dica: controlar não é o mesmo que mensurar.Um processo de melhoria contínua (plan-do-check-act) só ocorre quando os pontos “check” e “act” funcionam corretamente. E eles só podem funcionar se ocorrer uma mensuração de dados e acontecimentos durante um determinado período.
A surpresa disso tudo é que a grande maioria das empresas FAZEM isso. Elas sabem quantas horas seus funcionários trabalharam, elas sabem quanto tempo de atraso os projetos tem tido, quantas reclamações (e quais) cada cliente tem feito, enfim. Dados existem.
Estas empresas, porém, utilizam estes dados como forma de controle. E o controle geralmente leva à manipulação de dados direto na fonte. Ninguém quer ser responsabilizado.
Mensurar dados é diferente. Envolve confiança, transparência, responsabilidade e, principalmente, comprometimento. Ao apresentar os objetivos da mensuração aos seus funcionários e torná-los parte da solução, a empresa estará buscando aliados e não culpados.
Mensurar faz com que evidências dos problemas se tornem visíveis. Auxilia chefe, gerente e equipe a identificarem soluções para problemas.
Dados se transformam em informações. E as informações, se bem trabalhadas, se transformam em conhecimento. E o conhecimento, se espalhado pela empresa, gera uma melhoria contínua.
Essa é uma prática simples, que qualquer empresa pode aplicar. Basta encarar as pessoas como aliadas do processo.
Quando todos perceberem o poder de transformar dados em informação e conhecimento, não se assuste ao perceber que todos queiram mensurar até mesmo quantos litros de café são bebidos diariamente. Acredite: até disso pode-se tirar conclusões.
Flavio,
Há algum tempo atrás, eu tinha escrito um post sobre isso. Antes de aplicar a mensuração, é preciso fechar o ciclo do PDCA, senão ela se torna apenas mais um dado irrelevante.
Acredito que o mais dificíl no PDCA seja o Act.
Abraços,
Flávio,
Creio não ter entendido sua linha de raciocínio. Mensurar = medir. Ponto. Medir (mensurar) envolver coletar os dados e tratá-los, transformando em informação (como você mesmo apontou). Controlar é executar (act) – ou seja, com base em informações colhidas no check (medir) eu assumo uma postura frente a uma situação, corrigindo um problema ou mantendo um bom resultadado (pdcs – plan, do, check, standard).
Assim, creio que a confiança, transparência, responsabilidade e comprometimento estão no agir, não no medir.
Um forte abraço,
Marcus Gregório Serrano
Marcus, na verdade a essência era discutir como algumas empresas utilizam como forma de mensurar, o CONTROLE. No sentido literal da palavra. Isto é, controlar para responsabilizar, buscar culpados, etc. Não no sentido de mensurar para buscar melhorar o processo.
O controle, nesse sentido, acaba levando à manipulação de resultados. Ninguém quer correr o risco de levar uma chamada do chefe, por ter trabalhado menos horas, ou por ter produzido mais bugs no período.
A partir do momento que as pessoas entenderem a importância da mensuração, como eu disse no artigo, eles irão se engajar. Saberão que o sentido é única e exclusivamente a melhoria – e que isso será inclusive proposto por eles!
Abraços!
Normalmente as pessoas não se sentem confortáveis em assumir que podem errar ou que os softwares que elas produzem possuem erros, pois os gerentes em sua grande maioria agem apenas como capatazes da empresa.