Alinhamento estratégico de TI e o agile « Agile Way
10 de Novembro de 2009

Alinhamento estratégico de TI e o agile

Um dos valores do Agile Manifesto nos diz que:

“Colaboração do cliente é mais importante que negociação de contratos”

Este valor ágil é, talvez, um dos mais complicados de se implementar, pois envolve um terceiro ator, no caso o cliente. Por outro lado, este valor traz a tona uma outra discussão bastante comum em qualquer empresa: a eterna divisão entre TI e o resto da empresa.

Algumas pessoas devem se perguntar: “O que diabos a colaboração do cliente tem a ver com essa divisão?”. Ora, muito simples. Em 99,9% dos casos onde ocorre esta divisão, a realidade é que a área de TI nunca está em contato direto com o cliente. Sempre há alguma coisa antes, e daí você pode chamar como quiser: atendimento, executivos de conta, marketing, prospecção, gerentes de projeto, vendas, analistas de requisitos, analistas de negócio, etc.

Essa divisão, muito comum em empresas departamentalizadas, afasta de forma perigosa a TI do cliente. As reais necessidades do cliente passam por um telefone sem fio até chegar aos responsáveis pela produção. O resultado mais comum é a criação de feudos e as famosas acusações e desculpas “Nós só fizemos o que nos foi passado” ou “Esse pessoal da TI não faz nada direito”.

Já deu para sentir a encrenca, ou ainda não?

E então temos a geração de documentos detalhadíssimos sem valor nenhum, funcionalidades desenvolvidas que nunca serão usadas, prioridades definidas sem critério algum, bugs e defeitos emergindo de forma exponencial. Sem contar os conflitos que só pioram e se desgastam com o tempo.

Durante o meu curso de MBA, tivemos uma disciplina chamada “TI e estratégia competitiva”, onde o alinhamento estratégico de TI e negócio (podemos chamar de negócio essas áreas mencionadas) foi abordado. Fiquei impressionado com as conclusões que foram passadas: a grande maioria das empresas ainda separa a TI do resto, como se estivéssemos na década de 60.

Um case estudado no curso foi da implantação de um ERP em uma grande empresa farmacêutica. A implantação foi um fracasso total. E mais do que isso, foi a pá de cal para a concordada da empresa. Tudo devido a essa falta de alinhamento entre a TI e o resto da empresa.

Como pode haver colaboração do cliente em cenários como estes?

Não há mais espaço para aquela visão de que o “setor de TI” é uma sala cheia de luzinhas e computadores cuspindo papéis com códigos. Na era do conhecimento, só tem vantagem competitiva aquelas empresas que atendem seus clientes sem desperdício nenhum.

Mas para isso, as organizações precisam perceber que TI precisa atuar junto com o negócio. Junto com o cliente.



3 Comentários para “Alinhamento estratégico de TI e o agile”

  1. Flávio,
    Concordo em número, gênero e grau com o que expôs no artigo. Essa aproximação, tão necessária, é realmente delicada e, muitas vezes, mal feita (quando há alguma proximidade). No entanto, vejo que a figura do Analista de Negócios pode ser uma das soluções para este problema. O AN é o profissional que entende tanto de negócio quanto de “informatiquês”, servindo não de telefone-sem-fio, mas sim de tradutor. Claro que eu não seria ingênuo de afirmar que funciona bem, em todas as empresas onde o AN existe. Mas entendo que essa figura é hoje essencial, principalmente ao considerarmos que muitas empresas terceirizam sua área de TI – incluindo a função de desenvolvimento e manutenção de sistemas. Assim, para que a inteligência de negócios permaneça na organização, a figura do AN é essencial.

    Um forte abraço!
    Marcus Gregório Serrano, PMP

  2. [...] Alinhamento estratégico de TI e o agile – Flavio Steffens (Agileway); [...]

  3. Flavio,
    Acabei por ler seu post agora, apesar de ser publicado há algum tempo. O que não tira a atualidade do mesmo!
    A palavara Alinhamento é a grande questão: como unir os processos de TI com a velocidade dos negócios? como desenvolver software preparados para a alta mudança no mercado? Só através do alinhamento mesmo. Os dois na mesma direção! Os dois no mesmo barco! A TI não deve mais ser um mero apoioador, mas sim um participante no sucesso do negócio. E a empresa deve saber disso.
    O papel do AN, citado pelo Marcus, achei de fundamental importância. Pois o mesmo deve saber da linguagem dos dois “mundos”.
    Ótimo post!
    Até a próxima.
    Forte Abraço!!

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