Já diria o refrão da famosa música do The Doors: “Come on, baby, light my fire!”. Na música, porém, o significado é diferente do que quero passar aqui para vocês.
Nos últimos 3 meses e meio estou vivendo uma situação que vai muito ao encontro de algumas pessoas que sofrem ao tentar trazer os métodos ágeis para as suas empresas. Empreender e divulgar métodos ágeis tem sido o meu foco (cursos, blog, artigos, consultorias).
Este post visa fazer um comparativo entre a minha realidade e a realidade destas pessoas, tentando demonstrar como o “fogo” é uma das coisas mais importantes a serem consideradas, e como fazer para mantê-lo sempre aceso.
Quando sai do meu último emprego, na agência digital, me questionei algo que já havia passado pela minha cabeça no período: “Vale a pena mesmo trabalhar e se dedicar dessa forma para os outros?”. Sempre tive um sangue de empreendedor. Ao mesmo tempo, sabia que precisava ter um pouco de experiência no mercado e ter a vivência da realidade do dia-a-dia, também. Oito anos depois, acho que estou pronto.
Confesso, porém, que sempre fui um grande idealizador. Tive idéias (talvez) sensacionais. Muitas morriam sem nem nascer. Talvez faltasse o mais importante na hora de empreender: FAZER, e não viver apenas de idéias.
Sai da empresa, e decidi que o momento de empreender era aquele. Estava motivado, com “fogo”. Não tinha uma idéia consistente na época, mas estava decidido. Lembro que a primeira coisa que fiz foi definir o meu “ambiente de trabalho” em casa. Fiz um quadro branco enorme (dica: fazer um quadro branco sai 50% mais barato) e me estabeleci num lugar onde poderia trabalhar mais focado.
Meus planos: desenvolver um produto/serviço na web; realizar cursos e consultorias de métodos ágeis (foco em Scrum, devido estar relacionado com gerência de projetos) e também estudar e escrever artigos sobre o assunto. Sim, bastante coisa ao mesmo tempo… mas acredito que quando estamos atolados de coisa, rendemos mais.
O plano estava lindo, maravilhoso.
Três semanas depois, jogando futebol eu lesionei o tornozelo e os ligamentos. Diagnóstico: um mês com o pé pra cima, na cama. Mais um mês de fisioterapia. Realidade: quase dois meses e meio parado, literalmente.
Foi um período difícil. Usar o computador, por exemplo, era complicadíssimo: no meu desktop, eu ficava com a perna pra baixo (isso resultou em uma semana a mais de gesso) e na cama com o notebook era desconfortável.
Ouvi muitas pessoas dizendo que o gesso não deveria me impedir de continuar os meus planos. Obviamente essas pessoas que falaram, nunca passaram por essa situação.
Em meados de dezembro, quando me livrei dessa função do tornozelo, me decidi a voltar novamente aos meus projetos. Mas não existe “fogo” que resistiria a dois meses nessa função. Toda motivação e energia que eu tinha, sumiram. Desde então, tenho tentado, sozinho, acender novamente esse “fogo”… essa motivação para voltar à ativa.
O que eu considero que faltou pra mim? Apoio, suporte. Alguém que eu pudesse recorrer para “acender o meu fogo”. Uma pessoa que injetasse gasolina para motivar e auxiliar a organizar as idéias e projetos. Nesse caso, não adiantaria ser pai, mãe, irmãos ou namorada. Teria que ser alguém de fora. Alguém da realidade do mercado, um parceiro.
Atualmente estou retomando o rítmo aos poucos. O que antes, com o “fogo” acesso, levaria dois dias, hoje leva uma semana. Felizmente estou retomando. Não desisti. Mas não foi fácil.
Ok, e o que isso tem a ver com você? Ou com métodos ágeis? Muita coisa.
De vez em quando escrevo aqui sobre as dificuldades de mudar uma cultura. Fazer uma empresa mudar o seu processo de desenvolvimento, mudar sua forma de lidar com colaboradores, mudar a sua forma de liderança… mudar, enfim.
Não importa se a mudança é sugerida (ou imposta) pela diretoria (top-down), ou se emerge dos colaboradores (bottom-up). Sempre haverá mais resistência do que aceitação. Sempre haverá MUITO desgaste, por mais infame e pequena que seja a mudança. O gasto de energia será sempre alto.
Mostrar aos outros que a ideia tem fundamento e conseguir comprometimento não é fácil. Nessa hora, o “fogo” é muito importante.
Manter a mesma motivação e o “fogo” que se teve no momento em que você leu e conheceu a idéia, durante o processo de mudança, é um dos fatores críticos para o sucesso dessa empreitada. Você só conseguirá fazer os outros acreditarem em você, se sua paixão for real e sincera.
Só que sabemos que manter o “fogo” aceso não é fácil. Ninguém aguenta muito tempo só gastando energia e, muitas vezes, sem o resultado desejado. O que fazer, então?
Neste caso, antes de mais nada, busque apoio dentro da empresa. Identifique pessoas que, como você, tem tendência a acreditar na idéia. Todos nós precisamos de suporte, de uma mão amiga ou alguém para recorrer. Não importa que seja para desabafar. Ouvir uma pessoa, sabendo que ela está do seu lado, faz toda a diferença. Encontre alguém na sua empresa que possa acender o “fogo” quando ele estiver apagando.
Em uma consultoria que estou fazendo, em uma agência digital, falei para os donos exatamente isso. Para eles não me enxergarem como um “consultor” de métodos ágeis (não sou um sabe-tudo e com certeza não saberei muitas coisas que podem ocorrer). Mas me enxerguem como um facilitador e, principalmente, alguém que estará do lado deles para colocar gasolina no “fogo” para que a motivação da mudança, na empresa como toda, não acabe. Alguém que dê o suporte, busque ajuda e trabalhe visando garantir só benefícios para todos na empresa, durante este processo de mudança. Minha forma de enxergar uma consultoria em processos ágeis é assim.
Todos precisamos de suporte. Se você subestimar isso, tenha certeza que estará começando errado um processo de mudança. No momento que seu “fogo” apagar e você não tiver a quem recorrer, você se recriminará pela falta de “apoio”. Não é verdade?
Tive essa experiência de ver o “fogo” apagar tanto num local onde trabalhei, como na minha vida pessoal. Vivenciar as consequencias é uma forma interessante de aprender… mas expôr as lições aprendidas também
Mantenha a sua chama sempre acesa, mas lembre-se que sozinho você dificilmente conseguirá isso.


Fica tranquilo, todos nós passamos por isso em nossas vidas, de estarmos empolgados com alguma coisa e derrepente vem um balde de agua fria e la vamos começar tudo denovo! O segredo é não desanimar, e como você disse acima, sempre estar com pessoas que te ajudem a superar os desafios. Parabéns pelo post, ficou muito bom!!!
[...] Acenda meu fogo, por favor! – Flávio Steffens (agileway); [...]
Belo post! Também estou em uma fase de “busca da chama”.
Gostei da sugestão de fazer o quadro branco.
Quais materiais você utilizou? Tem algum site com um tutorial?
Falou e disse!
se ainda precisa de alguém para te motivar(ou desmotivar, hehe) com a realidade do mercado, só manda um e-mail para mim, que será uma honra trocar algumas idéias contigo e numa dessa colocar mais lenha na fogueira.
Tu é fera pk…. Velho!
Abs
Um post como este vale mais que uns 10 livros coxinhas sobre empreendedorismo.
Um abraço.
Belo post, Flávio
Com certeza estes seus planos vão sair deste quadro branco para a realidade.