Há algum tempo atrás eu postei um review de um artigo publicado pela revista Fast Company em que abordava como um grupo de economistas estava usando a gestão dos processos empíricos para salvar o mundo da pobreza, fome e miséria.
Neste mês (janeiro) a revista Wired destacou em sua capa como a nós devemos aprender com nossos erros e porque eles são importantes.

Há um artigo bem interessante sobre como a neurociência explica nossa incapacidade de lidar com as falhas. O artigo inicia com a história de dois astrônomos (Arno Penzias e Robert Wilson) que em 1964 estavam usando um radio telescópio para vasculhar o espaço. A idéia era fazer uma análise detalhada da radiação da Via Láctea. Com o equipamento em mãos e instalado, eles iniciaram seus experimentos.
Porém, nada dava certo como eles esperavam. Eles só recebiam um som de estática que era contínuo. Tentaram por diversas vezes retirar este som, achando que era lixo sonoro produzido pelo homem (cidades, testes nucleares ou até mesmo aves). Por meses esperaram que o som se dissipasse. Sem sucesso.
Eles já estavam a ponto de desistir de tudo, quando resolveram consultar um colega, físico nuclear, chamado Robert Dickie. Ele era um especialista em radares, e tinha o desejo de aplicar sua tecnologia na astronomia, pois tinha a tese de que seria possível escutar os sons residuais emitido pelo Big-Bang (em forma radioativa). Mas jamais havia conseguido colocar sua tecnologia em prática.
Os astrônomos ligaram para Dickie perguntando se ele teria uma idéia do que causava esse som irritante, que eles tentavam tirar. Dickie pulou da cadeira. “Vocês descobriram!”. Os astrônomos haviam encontrado, por acidente, o que Dickie procurava há tempos. A radiação residual do início do universo.
A falha de um experimento foi a solução de outro. Em 1978 foram agraciados pelo Nobel da Física.
O fato dos dois astrônomos estarem tão aborrecidos com a falha em experimentar e provar suas teorias, fez com que eles se tornassem cegos para que estudassem e aprendessem sobre a nova descoberta. Ao invés disso, não aceitavam sequer entender o resultado encontrado.
Como aprender com a nossa falha? A revista cita 4 idéias:
1. Pergunte a si mesmo o porque o resultado parece com uma falha. Que teoria ele contradiz? Talvez a hipótese tenha falhado, não o experimento.
2. Converse com pessoas que não estão familiarizadas com o seu experimento. Explicar o seu trabalho da forma mais simples possível, pode ajudá-lo a enxergá-lo de uma perspectiva diferente.
3. Se todos que estão trabalhando no mesmo experimento falam a mesma língua ou tem a mesma especialidade, então todos tem o mesmo grau de racionalidade. Tente trazer pessoas de disciplinas diferentes.
4. É comum nós descartarmos informações que vão contra nossas crenças. Tente fugir disso.
Outro experimento interessante, descrito na revista, fala de um mesmo experimento sendo desenvolvido por dois grupos distintos, em um laboratório. O experimento era para tentar descodificar dados de um grupo de proteínas, mas eles não conseguiam pois as proteínas insistiam em aderir a um filtro, utilizado na experiência. Eles tentaram descobrir como evitar este problema.
Um dos grupos era composto por pessoas de diferentes disciplinas e experiências. O outro grupo era de especialistas em biociência. O grupo especialista, que sabia sobre o assunto mais do que ninguém (mas só sobre o assunto), tentaram uma centena de testes para tentar encontrar as causas do problema, sem sucesso.
O grupo multidisciplinar, em contrapartida, levou apenas alguns dias para solucionar o problema. O método foi simples: eles tentavam uma abordagem, obtiam um resultado e conversavam sobre o que aprenderam. Os insights de cada uma das pessoas (de diferentes áreas de atuação) fez com que a resposta fosse se tornando clara.
O resultado acabou surgindo após uma reunião de 10 minutos. O grupo havia descoberto como solucionar o problema.
A explicação da neurociência para o fato de não aceitarmos a falha vem do nosso cérebro. O cientista Kevin Dunbar estudou por diversos anos este tema, e conseguiu identificar duas regiões do cérebro que reagem quando nos deparamos com situações onde esperamos um resultado e temos outro. Não irei me ater muito a esta explicação, pois ela é bastante extensa no artigo. Você pode ler ele aqui.
O fato é que nós, agilistas, usamos muito do empirismo nos negócios e no trabalho. E estar aberto aos erros, mesmo quando vão contra nossas crenças, é um dos grandes fatores críticos para o sucesso de nossa jornada. E, mais do que isso: saber que nossas experiências podem ser de grande valhia para outras pessoas que estão tendo o mesmo problema – ou que nosso resultado é a resposta que eles procuram – vai ao encontro da nossa idéia de colaboração e compartilhamento de informações.
Não tenha medo de expôr suas falhas. Sempre existirão pessoas que irão se beneficiar com nossas experiências. Compartilhe e aprenda com elas.
É o que eu tenho tentado fazer neste blog. Será que você não pode começar o seu, hoje?
Abraços!

Ótimo artigo! Excelente blog!!!! Parabéns!!!!