Empreendedorismo – Parte 1/4 « Agile Way
1 de Fevereiro de 2010

Empreendedorismo – Parte 1/4

Irei dedicar os próximos posts para discutir alguns aspectos do “quadrado mágico do empreendedorismo”. Bom, obviamente você nunca ouviu falar sobre este termo, pois acabo de inventá-lo. O “quadrado mágico do empreendedorismo” é a relação de quatro conceitos que considero fundamentais para quem quiser, algum dia, empreender. São eles: ideia, projeto, pessoas e dinheiro.

Este artigo não tem nenhum embasamento científico, portanto sinta-se totalmente a vontade para discordar do que irei discorrer aqui. Ele foi escrito com base na minha experiência atual em tentar empreender e no que estou levando em consideração para esta nova aventura. Notem: é basicamente um amontoado de ideias minhas sobre o assunto. Apesar disso, acredito que a leitura leve a reflexão.

Antes é necessário discorrer um pouco sobre aquilo que as pessoas chamam de “sangue empreendedor”. É comum você ler por ai gente falando que tal pessoa é uma verdadeira empreendedora, ou que o Fulano tem sangue de empreendedor. Isso remete a imaginar que empreendedorismo é um dom.

Não vejo isso como verdade. Ao meu ver, um empreendedor precisa ter duas características principais: gosto pelo risco e atitude. São duas características que eu não vejo como intrínsicas. Uma pessoa pode muito bem desenvolvê-las.
Mas na maioria dos casos, empreender é arriscar, colocar a cara para bater. É entrar de cabeça no desconhecido. E quando eu digo de cabeça, isso envolve perder seus dias enfrentando dificuldades que como empregado você nunca enfrentaria, ter que aprender matemática financeira, administração e marketing, mesmo sem nunca ter estudado sobre o assunto. E ainda fazer tudo isso com o seu próprio dinheiro em risco.

Mas de nada adianta tudo isso sem atitude. Ora, é a principal característica de um empreendedor. Como eu mencionei no post “Acenda o meu fogo, por favor”, a atitude é o combustível que é preciso ter para o dia-a-dia. Enfrentar todas as dificuldades e estar pronto para o próximo dia. Não adianta apenas conhecimento e habilidade, é preciso saber ser e agir.

Ainda assim, eu e você poderemos citar vários empreendedores que tiveram sucesso sem ter essas características. Isso reforça a afirmativa: empreender não é um dom. Todos nós podemos.

E o “quadrado mágico do empreendedorismo”? Como eu disse, esse termo criado por mim (no momento em que escrevo este post) é composto por ideia, projeto, pessoas e dinheiro. Vamos a eles.

A IDEIA

A ideia, podemos dizer, é o coração do empreendedorismo. Tudo começa por ela. É no momento em que a lâmpada acende, que nós damos o primeiro passo rumo ao empreendedorismo. Logo, essa inicia como sendo o ativo mais importante do empreendedor.

Você, se enxergando como empreendedor ou não, já deve ter tido algumas ideias que em algum momento pensou em colocar em prática. E, me atreveria a dizer, que pelo menos uma delas você via como uma GRANDE ideia. Tão grande, tão importante, que você a tratava com um carinho especial. Correto?

Esse sentimento que leva a um dos erros mais comuns: o de guardar a ideia a sete chaves. As vezes temos uma ideia que parece ser revolucionária. E isso nos faz tratá-la com um cuidado excessivo, evitando sequer pensar nela próximo de alguma pessoa, temendo que alguém possa ler a sua mente. O motivo parece óbvio: eles podem “roubar” a nossa ideia.
Essa atitude (que inclusive foi vivida por mim) é totalmente anti-empreendedora! O medo de que alguém roube uma ideia de fato pode existir. Ouso dizer que 90% das pessoas com as quais você conversar sobre a sua ideia, não a verão com os mesmos olhos que você. Aqueles que se empolgarem, o darão força para seguir adiante. E aqueles que se empolgarem e pensarem em roubar a sua ideia, tenha a certeza que após a primeira noite de sono já a terão esquecido.

Agora pense: cada pessoa que você deixa de explicar a sua ideia, é um feedback a menos que você tem. Como mostrado em um post anterior, os insights mais importantes surgem de pessoas de diferentes áreas e experiências. Explicar a sua ideia de uma forma simples aos outros, ainda o faz enxergá-la de outra perspectiva e, mais ainda, o faz receber feedbacks que talvez o façam repensar muitas coisas.

Mas tenha em mente que uma ideia é apenas uma ideia. Se você não implementá-la, ela será apenas um ativo abstrato sem valor.

Eu tive já várias ideias. Sempre quis empreender, então sempre busquei ideias com as quais poderia iniciar minha aventura. 99% delas nasceram e morreram com velocidade assustadora. Muitas por eu usar o método de escondê-la a sete chaves: quem sabe algumas não fossem interessantes? Outras morreram no momento em que coloquei no papel e organizei, quando percebi serem inviáveis. E algumas eu mantenho como possíveis de implementar.

Não tenho mais receio de expôr as ideias a pessoas próximas. Obtive ótimos feedbacks e combustível para seguir adiante. Mas algumas eu ainda preciso organizar melhor. E é ai que entra o próximo conceito do “quadrado mágico”: o projeto.



3 Comentários para “Empreendedorismo – Parte 1/4”

  1. rafael diz:

    Muito bom. Ancioso pelo projeto.

  2. Grande Flávio. Ótimo post e ótima idéia.
    Concordo e discordo com você em relação ao espírito empreendedor. Acho que vai dapersonalidade da pessoa. Uma pessoa que chega aos 25 anos insegura, avessa ao risco, acomodada e com um comportamento passivo em relação a problemas, idéias e oportunidades, não mudará nunca, mesmo com os melhores treinamentos do mundo se transformará num empreendedor. Nesse ponto eu discordo.
    Concordo ao acreditar que uma pessoa com o mínimo de pró-atividade e gosto pela aventura possa ser desenvolvida e se transformar num empreendedor, mas ela tem de reconhecer isso dentro de si e permitir que isto seja desenvolvido.
    Apesar de tudo, conheço algumas pessoas que são ótimos “empreendedores passivos” com idéias geniais, mas péssimos executivos. Não conseguem sequer colocar no papel uma dessas idéias, só pensam nelas. Acho que o segredo mesmo é praticar o lado “oportunista” (no bom sentido, de aproveitar brechas de mercados e comportamentos sociais atuais para inventar novos produtos/serviços/idéias), e também se preparar para arregaçar as mangas…

    Um abraço.

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