Empreendedorismo – Parte 4/4 « Agile Way
19 de Fevereiro de 2010

Empreendedorismo – Parte 4/4

O que seria de um empreendedor sem os recursos financeiros? As startups, por mais enxutas que sejam, só terão resultados se houver investimento.

O último vértice do “quadrado mágico do empreendedorismo” é, portanto, o dinheiro.

Em qualquer projeto, você precisa seguir um conceito simples para sua saúde financeira: ganhar mais do que gasta. É óbvio, correto? Porém, muitas empresas esquecem disso.

Mais do que isso: muitas empresas que estão iniciando querem pensar como se fossem grandes e acabam focando em gastos inúteis. Por exemplo, se você for oferecer um serviço a seus clientes e necessitar de um fornecedor, será necessário já fazer um contrato para 100 clientes, se você só tem 10? Que tal escalar esse gasto só quando for necessário? Pensar na escalabilidade dos seus gastos conforme seu faturamento é, portanto, uma solução obrigatória.

Porém, sem dúvida nenhuma, o problema mais comum dos empreendedores é obter investimento para iniciar. Mesmo que você pense em reduzir seus gastos (com ferramentas opensource) você precisará de computadores, móveis, aluguel, telefone, luz… e principalmente, pessoas. E pessoas boas, que custam dinheiro.

Algumas fontes de investimentos que você pode considerar:

a) BANCOS. Os empréstimos bancários normalmente não são dos mais atrativos para quem está começando. Você não tem nome, não pode oferecer garantias reais e acaba tendo que se sujeitar às condições do banco. Isso gera prazos menores e juros maiores. Uma dica bastante comum de especialistas é conhecer o seu gerente. Torná-lo parte do seu networking mais ativo. O seu gerente será um dos seus principais aliados.

b) BNDES. O BNDES é uma entidade que foca em investimentos para o crescimento do setor produtivo do país. Esta entidade costuma oferecer linhas de crédito muito mais acessíveis do que qualquer banco. Vale muito a pena pesquisar as condições, que podem chegar a menos de 10% de juros ao ano. Há linhas de crédito para pequenas empresas.

c) FINANCIADORAS DO GOVERNO. Essa é a melhor solução possível. Entidades como FINEP, FAPERGS, FAPESP, etc. são responsáveis por selecionar projetos inovadores para o país e oferecer investimentos que chegam a milhões para alguns projetos. E, o melhor de tudo, normalmente são a fundo perdido (você só precisa apresentar o resultado final). Em contrapartida é comum exigirem a parceria com grupos de pesquisa de Universidades. E os projetos costumam ser de inovação, envolvendo muita P&D.

d) CAPITAL PRÓPRIO. E se você investir o SEU próprio dinheiro? Ou então capital familiar? Essa é a melhor das possibilidades, pois o ônus é zero e todo seu. Agora, se você pensar “não colocaria o meu dinheiro no negócio”, será que realmente a sua ideia é tão boa assim?

e) ANGELS e VENTURE CAPITAL. No Brasil isso é bastante incomum, mas existe. São empresas ou pessoas físicas que investem dinheiro em empreendimentos que eles vislumbram como sucesso. Acabam se tornando donos ou sócios das empresas iniciantes. No Vale do Silício isso é bastante comum.

f) SEBRAE, ENDEAVOUR, etc. Estas entidades não oferecem capital de investimento, mas são um suporte excelente para ajudar a sua empresa a buscar as melhores soluções e parceiros para investimento. Empreender sem conversar com estas entidades é como querer caminhar sobre vidros sem um bom tênis.

Além disso, como sempre faço, aqui vão algumas ideias aleatórias sobre dinheiro, para você considerar quando for empreender.

a) Procure monetarizar a sua ideia o quanto antes. Estime, de uma maneira realista, quando você poderia começar a ganhar dinheiro com sua ideia. E busque reduzir sua estrutura inicial para que o seu saldo mensal já seja positivo logo.

b) Desenvolva seu planejamento financeiro procurando gastar o menos possível e, além disso, planejando a sua saída o mais cedo possível. Um dos seus mantras, no início, deve ser: “Se as coisas indicarem que não há futuro, paro aqui mesmo”. O mundo está cheio de exemplos de persistência (olha a Amazon, aí!) mas lembre-se que nem todos nascem com o mesmo apoio financeiro que estes cases de sucesso. É muito mais saudável falhar gastando só 5.000 reais, do que falhar gastando 40.000 reais, não é verdade?

c) Tenha o foco dos seus gastos no principal: pessoas. É preferível um ambiente simples com bons programadores, do que um ambiente maravilhoso com pessoas mediocres.

d) Já considere o preço do seu produto/serviço. Mesmo que ele não seja o final, trabalhe suas projeções com um valor que você considera igual ou abaixo do mercado. É preferível descobrir que você foi mais pessimista do que otimista, depois.

e) Um plano de negócios é uma excelente forma de organizar as suas ideias no papel. Todas as ações que você planejar acarretarão em algum custo. Além disso, bancos e financiadoras irão exigir o plano de negócios.

Enfim, você precisa estar bastante orientado a faturar o mais cedo possível. Se você não sabe como fazer isso, leia mais sobre métodos ágeis de desenvolvimento. Aqui neste blog você encontrará bastante sobre isso :)

Dessa forma, encerramos o “quadrado mágico do empreendedorismo”. Não é um guia, nem é um manual para você seguir passo a passo e de forma cega. Muito pelo contrário. São algumas ideias para você refletir e considerar, quando for empreender. São ideias que eu estou procurando seguir para o meu empreendimento.

Se tudo der certo, este blog será alimentado com essa minha aventura. Seja o resultado excelente ou péssimo. Serão lições, acertos e erros que irei compartilhar com vocês.

Foi dado o primeiro passo :)

Espero que tenham gostado.



2 Comentários para “Empreendedorismo – Parte 4/4”

  1. Muito bom Flávio! Agora é partir para aventura! ou seja, a mente já está preparada. Uma coisa que o Guy Kawasaki destaca é o bootstrapping. O empreendedor precisa dar um jeito de começar por si só, quebrando a cabeça e lutando com unhas e dentes pelas suas idéias.

  2. Hugo Alves diz:

    Muito bom o artigo, repleto de conteúdo útil para quem quer se aventurar no empreendedorismo.

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