Costumo assinar algumas revistas para ler ou folhear. Algumas eu já não tenho tanto interesse assim, outras são para leitura casual e algumas eu gosto de ler mesmo por me interessar.
Não importa se são nacionais ou internacionais, de negócios ou cotidiano. A grande maioria destas revistas, quando trata de assuntos como administração, empresas e negócios, traz uma reportagem falando sobre mudança.
Seja uma simples adaptação ou uma complexa mudança radical, o fato é que este termo vem se tornando a nova “buzzword” dos negócios. Mas será que todos temos que mudar? Será que sua empresa tem que mudar? Será que VOCÊ tem que mudar?
Se você acompanha este blog deve saber que trato usualmente de assuntos relacionados a mudança. Sim, o agile e, mais especificamente, o scrum são formas diferentes de trabalhar e encarar o mundo. Para algumas empresas estes conceitos ultrapassam o limiar da mudança, se tornando rupturas. E por isso mesmo são tão temidas ou desprezadas.
Quem gosta de mudar? Eu diria que ninguém. Mudar é um estorvo, vamos admitir. O ser humano é acomodado por natureza. Só muda em casos extremos.
Pois parece que estamos chegando a este extremo. O mundo tem mudado muito e, consequentemente, os negócios também. Trabalhar hoje, em muitos setores, é quase uma novela de ficção científica para quem vivenciou o trabalho de 40 anos atrás (ou até menos). Se você acha um exagero, pense no filme “2001 – Uma odisséia no espaço” (de 1968) ou mesmo o Star Wars (de 1977). Os computadores nada mais eram do que acessórios, com luzes piscando e emitindo bips. Ninguém TRABALHAVA nos computadores. No máximo apertavam botões e monitoravam.
E isso acontece porque era a realidade daquele momento. Computadores eram coisas SCI-FI. Sequer tinham a capacidade para de fato servirem para criar algo.
Mas o mundo mudou. Os computadores transformaram nossas vidas. Em seguida, a Internet deu um novo impulso (turbinado) nessa aceleração.
E com isso o trabalho mudou. Em sua maioria, deixou de ser manual para ser criativo. O empirismo não se tornou algo apenas de cientistas malucos, mas começou a ser entendido como uma poderosa forma de trabalhar. Os designers viraram sinônimo do novo modelo de trabalho.
Um software desenvolvido em um processo criativo, usando conceitos de caos controlado, ainda é de difícil aceitação na maioria das empresas de TI. E não é para menos: por muito se falou em “processo de criação de software”, levando esse conceito ao pé da letra, como se fosse uma linha de montagem onde a gente só vai parafusando as peças e no fim sai tudo como queríamos.
As pessoas (a.k.a. funcionários, colaboradores, parceiros, trabalhadores) passaram a utilizar mais o cérebro ao invés das mãos. O ambiente de trabalho passou a influenciar na forma como uma empresa produz. A hierarquia deixou de ser sinônimo de controle para se tornar sinônimo de parceria. O concreto virou conceitual.
Mas ainda existem empresas que vivem na década de 1960. E mais do que isso: continuam dando lucros. Eu credito muito disso pelo fato de serem empresas que estão em modelos de negócio onde as mãos ainda são mais importantes. Uma construtora, metalurgica ou montadora de eletrodomésticos, por exemplo, ainda precisam muito mais das mãos das pessoas do que dos cérebros. Lógico que estou falando das pessoas da linha de frente, não aquelas que projetam e administram: essas já vivem na nova realidade. E isso é uma lástima. Pois essas pessoas que estão na linha da frente podem ter ideias e insights muito mais relevantes e valiosos para a empresa, do que as pessoas que vivem de planos e projetos, e não conhecem a realidade nua e crua. Algumas vezes, sequer conhecem o produto que vendem e projetam!
Sua empresa precisa mudar? Com certeza. O que varia é o nível desta mudança. Empresas mais jovens, ou com uma cultura em formação, normalmente precisam de alguns ajustes, ou uma adaptação para se tornarem mais alinhadas com os valores atuais. Empresas mais antigas ou com uma cultura formada, demandam mais tempo para essa mudança, em alguns casos uma ruptura.
Seja qual for a sua situação, é preciso saber que sempre haverá dor. Dor da resistência e da incompreensão. Muitas pessoas não vão querer mudar, seja por gostarem das coisas como estão (no novo modelo elas temem perder “poderes”) seja pela inércia que o comodismo causa.
O que não pode acontecer é NÃO MUDAR. Achar que isso é uma “modinha”. Continuar enxergando as mãos como mais importantes que o cérebro. Este modelo de negócio antiquado (quase medieval) está com os dias contados.
Se você duvida, leia mais revistas, ou fale com empresários. E se ainda assim duvidar, admita: você nasceu na década errada.
