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29 de Março de 2010

Slow down

Ontem recebi um dos infinitos emails de “correntes” e “PPS’s” que normalmente a gente nem olha e já deleta.

Porém, este me chamou a atenção. Verídico ou não, traz uma mensagem interessante sobre o trabalho no mundo atual. E principalmente como países europeus tem lutado fortemente para mudar a mentalidade americana, vigente por tantos anos e ainda usada como referência por muitos empreendedores e empresários.

Como eu disse, não garanto a total veracidade do texto. Ele é antigo, dei uma procurada no Google e vi isso. Mas  vale a leitura… pela mensagem.

A Cultura do Slow Down (autor desconhecido)

Já tem 18 anos que ingressei na Volvo, empresa sueca bem conhecida.

Trabalhar  com eles é uma convivência muito interessante.  Qualquer projeto aqui demora dois anos para se concretizar, mesmo que a idéia  seja brilhante e simples. É uma regra. Os  processos globalizados causam-nos a nós (brasileiros,  portugueses, argentinos, colombianos, peruanos,  venezuelanos, mexicanos, australianos, asiáticos,  etc…) uma ansiedade generalizada na busca  de resultados imediatos.

Conseqüentemente,  o nosso sentido de urgência não surte  efeito dentro dos prazos lentos dos suecos. Os  suecos debatem, debatem, realizam “n”  reuniões, ponderações, etc… E  trabalham! Com um esquema bem mais “slowdown”.  O melhor é constatar que, no fim, isto acaba por sempre dar resultados no tempo deles (suecos) já que conjugando a necessidade amadurecida com a tecnologia  apropriada, é muito pouco o que se  perde aqui na Suécia.

1.  A Suécia é do tamanho do estado  de São Paulo (Brasil).
2.  A Suécia tem apenas dois milhões de  habitantes.
3.  A sua maior cidade, Estocolmo, tem apenas  500.000 habitantes (compare-se com Paris, Londres,  Berlim, Madrid, mesmo Lisboa, onde vivem  permanentemente 1 milhão de pessoas, ou  ainda a cidade do Rio de Janeiro  com 7 milhões).
4.  Empresas de capital sueco: Volvo, Skandia,  Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare  , etc. Nada mal, né? Para se ter  uma idéia da sua importância basta mencionar  que a Volvo fabrica os motores de  propulsão para os foguetes da NASA.

Os  suecos podem estar enganados, mas são  eles que me pagam o salário. Devo  referir que não conheço nenhum outro  povo com uma cultura geral superior à  dos suecos.

Vou  contar uma pequena história, para  terem uma idéia: A  primeira vez que fui para a Suécia,  em 1990, um dos meus colegas suecos  me apanhava no hotel todas as manhãs. Já  era Setembro, com algum frio e neve. Chegávamos  cedo à Volvo e ele estacionava o  carro longe da porta de entrada (são  2000 empregados que vão de carro para  a empresa). No primeiro dia não fiz  qualquer comentário, nem tampouco no segundo  ou no terceiro. Num  dos dias seguintes, já com um pouco  mais de confiança, uma manhã perguntei:

“Vocês  têm lugar fixo para estacionar? Chegamos  sempre cedo e com o estacionamento quase  vazio você estaciona o carro no seu  extremo?

E  ele me respondeu com simplicidade:

“É que como chegamos cedo temos tempo para andar, e quem chega mais tarde, já vai entrar atrasado, portanto é melhor para ele encontrar um lugar mais perto da porta. Entendeu?”

Imaginem  a minha cara! Esta atitude foi bastante  para que eu revisse todos os meus  conceitos anteriores. Atualmente,  há um grande movimento na Europa chamado  ”Slow Food”. A “Slow Food International  Association”, cujo símbolo é um caracol,  tem a sua sede na Itália (o site  na Internet é muito interessante http://www.slowfood.com).

O  que o movimento Slow Food preconiza   é que se deve comer e beber com  calma, dar tempo para saborear os alimentos,  desfrutar da sua preparação, em família,  com amigos, sem pressa e com qualidade. A  idéia é contraposição ao espírito do  Fast Food e o que ele representa  como estilo de vida.

Verdadeiramente  surpreendente, é que este movimento de  Slow Food está servindo de base para  um movimento mais amplo chamado “Slow  Europe” como salientou a revista Business  Week numa das suas últimas edições  européias.

Na  base de tudo isto está o questionamento  da “pressa” e da “loucura”  geradas pela globalização, pelo desejo de  ”ter em quantidade” (nível de vida)  ao contrário do “ter em qualidade”,  “Qualidade de vida” ou “Qualidade  do ser”. Segundo  a Business Week, os trabalhadores  franceses,  ainda que trabalhem menos horas (35 horas  por semana) são mais produtivos que os  seus colegas americanos e ingleses. E  os alemães, que em muitas empresas já  implantaram a semana de 28,8 horas de  trabalho, viram a sua produtividade aumentar  uns apreciáveis 20%.

A  denominada “slow attitude” está chamando  atenção dos próprios americanos, escravos  do “fast” (rápido) e do “do  it now!” (faça já!). Portanto,  esta “atitude sem pressa” não significa  fazer menos nem ter menor produtividade.

Significa  sim, trabalhar e fazer as coisas com  ”mais qualidade” e “mais produtividade”,  com maior perfeição, com atenção aos  detalhes e com menos stress. Significa  retomar os valores da família, dos amigos,  do tempo livre, do prazer dum belo  ócio e da vida em pequenas comunidades. Do  ”aqui” presente e concreto, ao contrário  do “mundial” indefinido e anônimo.

Significa  retomar os valores essenciais do ser humano,  dos pequenos prazeres do cotidiano, da  simplicidade de viver e conviver, e até  da religião e da fé.

Significa um ambiente de trabalho com menos pressão, mais alegre, mais leve, e portanto mais produtivo, onde as pessoas realizam com prazer o que melhor sabem fazer.

É saudável refletir sobre tudo isto. Será que os antigos provérbios: “Devagar se vai ao longe” e “A pressa é inimiga da perfeição” merecem novamente a nossa atenção nestes tempos de loucura desenfreada? Não  seria útil e desejável que as empresas  da nossa comunidade, cidade, estado ou  país, começassem já a pensar em desenvolver  programas  sérios de “qualidade sem  pressa” até para aumentarem a produtividade   e a qualidade dos produtos e serviços  sem necessariamente  se perder “qualidade  do ser”?

No  filme “Perfume de Mulher” há uma  cena inesquecível na qual o cego (interpretado  por Al Pacino) convida uma jovem para  dançar e ela responde: “Não posso,  o meu noivo deve estar chegando”.  Ao que o cego responde: “Em um  momento, vive-se uma vida”, e a leva  para dançar um tango. Esta cena que  dura apenas dois ou três minutos, é  o melhor momento do filme. Muitos  vivem correndo atrás do tempo, mas só  o alcançam quando morrem, quer seja de  enfarte ou num acidente automobilístico por  correrem para chegar a tempo.

Ou outros que, tão ansiosos para viverem o futuro, esquecem-se de viver o presente,  que é o único tempo que realmente existe. O  tempo é o mesmo para todos, ninguém  tem nem mais nem menos de 24 horas  por dia. A  diferença está no que cada um faz  do seu tempo. Temos de saber aproveitar  cada momento, porque, como disse John  Lennon, “A vida é aquilo que acontece  enquanto  planejamos o futuro”.

Parabéns  por ter conseguido ler esta mensagem até  o fim. É sinal que você também está afim de mudar a velocidade e a qualidade das coisas, a começar por si.



7 Comentários para “Slow down”

  1. Marc diz:

    Eu já havia lido este texto e também não sei se é verdade ou não. Porém, ele nos dá um pouco de conforto ao mostrar que pode existir um outro modo de fazer as coisas, sem essa pressa excessiva que tudo tem hoje em dia.

    O único problema, é que a Volvo andou meio “ruim das pernas”, acabou sendo vendida para a Ford em 1999 e até hoje é uma subsidiária da companhia americana. Se a cultura da Volvo funcionasse tão bem, ela não precisaria ter sido vendida.

  2. Excelente fonte de reflexão. Parabéns aí pessoal da agileway :)

  3. [...] This post was mentioned on Twitter by Renan A. Marks and Zé Ricardo, tarsis azevedo. tarsis azevedo said: http://bit.ly/dokivf Slow Down – pq "a pressa é inimiga da perfeição" [...]

  4. Flávio Ricardo diz:

    Mensagem muito inspiradora e inteligente, parabéns por compartilhar deste pensamento conosco. ;)

  5. [...] This post was mentioned on Twitter by Renan A. Marks, Rodrigo G. M. Catto, Zé Ricardo, arnaldo m. alencar, Felipe Pedrini and others. Felipe Pedrini said: Slow Down http://www.agileway.com.br/2010/03/29/slow-down/ (não ligue para os antônimos no link) [...]

  6. [...] This post was mentioned on Twitter by Renan A. Marks, Rodrigo G. M. Catto, Zé Ricardo, André Moreira , Josmar Peixe and others. Josmar Peixe said: Meu amigo @felipepedrini enviou 1 artigo muito interessante. http://www.agileway.com.br/2010/03/29/slow-down/ [...]

  7. Alexandre diz:

    Excelente texto! Seu blog é uma parada obrigatória, continue escrevendo. E boa sorte na startup.

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