Roteiro para uma entrevista de emprego « Agile Way


9 de Abril de 2010

Roteiro para uma entrevista de emprego

Como mencionado anteriormente, estou abrindo minha empresa.

Não é uma tarefa fácil. Empreender não é fazer como o Roberval. Envolve muitos riscos, desafios e conhecimentos em áreas diferentes. Eleve isso na nona potência, ao lembrar que moramos num país chamado Brasil, onde os empresários e empreendedores são vistos ainda como “exploradores” de seus “empregados”.

Minha proposta para a empresa é criar um ambiente diferenciado. O anúncio para as vagas alguns já devem conhecer. A empresa será, inicialmente, uma legítima startup iniciada praticamente na garagem de casa, mas irei focar muito em valorizar ao máximo a colaboração e o que podemos chamar de “gestão 2.0″.

Para tanto, busquei criar uma forma de seleção menos RH e mais amigável. E é isso que divulgo para vocês.

Em primeiro lugar, vale ressaltar uma coisa: a vaga foi descrita de uma forma que me trouxesse pessoas realmente empolgadas em enfrentar o desafio de uma startup. Portanto, para mim era muito importante não apenas receber o currículo, mas já receber algumas informações relevantes.

No formulário de inscrição solicitei informações como: “descreva-se em 40 caracteres”, “com quais aptidões interpessoais e técnicas se identificou mais”, “cite três livros que tenha lido recentemente”, “cite dois links de perfis seus em redes sociais” e “cite dois trabalhos seus na web”.

O objetivo das mídias sociais, por exemplo, não era revirar a vida da pessoa. Mas como estou buscando pessoas apaixonadas pela web, de que me adiantaria alguém que falasse que não usa nenhuma rede social? Nos livros, era a oportunidade da pessoa colocar livros que ela acha relevante, e ao mesmo tempo é uma forma de nós conhecermos um básico do perfil da pessoa.

Para minha surpresa, recebi mais de 40 contatos. Ao mesmo tempo que isto foi ótimo, tive que tomar a difícil decisão de selecionar os que eu considerava, após analisar o CV e as respostas dos formulários, que mais se encaixariam no perfil que eu buscava. Notem, nesse caso, como o formulário foi importante! Ele foi um excelente “extra” para auxiliar nessa difícil tarefa.

A entrevista é a parte mais fácil, na minha opinião. Pelo simples fato de eu não buscar nenhuma referência de técnicas e “manhas” de grandes empresas de RH. Sinceramente? Não concordo com a maioria destas técnicas. Servem para criar pessoas mais ansiosas e nervosas. E isso leva a “padronização” das respostas. Ela digita: “dicas para se dar bem com o RH” e recebe várias dicas e respostas prontas para perguntas que não levam a lugar nenhum.

Preferi o bate-papo. Desarmar os candidatos logo no início, de qualquer nervosismo que eles estivessem sentindo. Aliás, se eu percebia que eles estavam nervosos, buscava deixá-los falar ou então conversava de assuntos banais, como: “foi difícil encontrar o local?”. Coisas simples, mas que já quebram um pouco o clima de “tensão” que nós todos estamos acostumados e já vivenciamos em entrevistas.

Uma coisa que eu recomendo: não fique anotando ou escrevendo enquanto estiver entrevistando a pessoa. Isso passa uma sensação terrível para o candidato, como se ele tivesse que se policiar nas palavras. Deixe para escrever ao final da entrevista, quando ele já tiver ido embora.

O roteiro que eu escolhi segue este modelo:

  • Para começar, o candidato era incentivado a falar um pouco sobre si
    • Contar o que fez nos últimos dois anos (onde trabalhou, o que aprendeu, o que desenvolveu…)
    • Citar um ou dois projetos interessantes que tenha gostado de trabalhar e contar como foi
    • Como é o envolvimento da pessoa com a web (o que gosta de fazer, o que não gosta…)
    • O que foi que o atraiu nessa proposta de trabalho
    • Como ele enxerga uma empresa startup

Em seguida eu realizava algumas perguntas sobre o currículo da pessoa e sobre as respostas que enviou no formulário. Este é um passo que eu pulei na grande maioria das entrevistas, pois normalmente durante todo item 1, eles já respondiam o que eu gostaria de saber. De qualquer forma, é interessante realizar uma ou duas perguntas específicas para mostrar que você, sim, leu as respostas e o cv que a pessoa enviou. Convenhamos, nada pior do que um entrevistador que nem o cv da pessoa tem em mãos, mostra total falta de respeito.

Após isto, o objetivo era falar da proposta. Lembrando que uma entrevista é uma via de duas mãos, ou seja, a pessoa está ali para ouvir um pouco mais sobre a nossa proposta de trabalho!

  • Explicação sobre a proposta, o projeto e a startup
      • Falar um pouco sobre o projeto a ser desenvolvido (pode ser em linhas gerais, a ideia é apenas a pessoa entender o que irá enfrentar)
      • A proposta da empresa (o que oferecemos, por que oferecemos, etc.)
      • As dificuldades e desafios que serão enfrentados
      • Falar sobre a visão de futuro, crescimento, oportunidades…

    Vejam, é bem simples. Mas é importante ressaltar a importância de observar o candidato enquanto se está falando sobre isso. Se você notar um brilho nos olhos, um sorriso ou uma certa ansiedade tomando conta do candidato, tenha a certeza que ele está muito motivado. Melhor ainda é quando ele não apenas escuta, mas também participa do bate-papo neste momento.

    Para terminar, é sempre bacana deixar claro que você já ouviu tudo o que gostaria de ouvir e deixar o candidato livre para perguntar caso tenha alguma dúvida. Normalmente eles tem.

    Talvez você esperasse um roteiro completo com perguntas e “pegadinhas” para descobrir o perfil do candidato. Mas, como eu disse, eu fujo desse tipo de entrevista.

    O que eu realmente procuro (e valorizo demais) é identificar que o candidato tem ATITUDE. Aquela pessoa que está motivada, bem humorada e engajada com a proposta. Uma entrevista seguindo estes moldes, faz com que isso transpareça de forma muito mais clara.

    Lembre-se que aprender a programar um HTML ou um código em PHP é relativamente fácil. Se for o caso os livros, os colegas e até o Google ajudam. Já a ATITUDE é da pessoa. Ou ela tem, ou não tem.

    Ah! E tenha certeza de uma coisa: ao final das entrevistas você ficará se perguntando se não deveria ter entrevistado todos os candidatos que se elegeram à vaga. Por mais impossível que seja você conseguir agendar com todos, a sensação final terá sido essa.

      

      6 Comentários para “Roteiro para uma entrevista de emprego”

      1. Rafael Pinese diz:

        Muito bom, excelente, parabéns.

      2. A unica coisa que discordo é que uma pessoa apaixonada por web não pode não estar em nenhuma rede social. Uma pessoa pode ser apaixonada por web, pelo conhecimento gerado e por inúmeras coisas relacionadas, mas refletir que as redes sociais hoje são um espaço na maioria para bobagens e relacionamentos amorosos e/ou sexuais e não achar interessante para si.

      3. Muito, boa a mensagem proposta !

      4. Marcus Sá diz:

        Leonardo, eu discordo de você, eu creio que o fato de estar presente em redes sociais aponta na direção do colaborativismo, presença, iniciativa e etc. Existem inumeras redes sociais de diversos nixos, e na grande maioria você seleciona seus seguidores, amigos ou seja lá o que for… Minha opinião :D

      5. Fabiano diz:

        Bacana mas faltou a parte que acho que a maioria das empresas que se dizem bacanas por aí faz de forma patética: e a comunicação com quem NÃO foi selecionado? Cara, se alguém, por algum motivo resolve investir tempo para trabalhar contigo, ela merece alguma atenção. Não sei se foi seu caso mas alguns caras em empresas legais tem feito este tipo de palhaçada – gente que se inscreve para as vagas e nem um “obrigado por mandar seu CV” recebe de volta. Same old shit em roupinhas novas. DE NOVO, acho que não é seu caso. Boa sorte com a start up.

      6. Flavio Steffens de Castro diz:

        Olá Fabiano. Esse é, de fato, um dos momentos mais importantes das entrevistas. E sim, enviei uma resposta a todos. Pode ser que alguém tenha passado em branco, mas se aconteceu foi um acidente isolado. Assim como a pessoa perdeu o seu tempo se interessando pela vaga, o mínimo que podemos fazer é considerar isso.

        Obrigado pelo comentário.

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